Entrevista coletiva concedida pelo governador Jaques Wagner juntamente com o prefeito Tarcisio Pimenta no Paço Municipal da Prefeitura de Feita de Santana
Wagner e Pimenta.
após assinatura de convênio para o patrocínio do Governo do Estado a micareta local
De gravata vermelha, o prefeito Tarcisio Pimenta defendeu o tratamento republicano das relações entre o governo estadual e a prefeitura. Por sua vez, o governador Jaques Wagner falou abertamente das alianças firmadas pela candidatura petista, informando que conversou com o senador César Borges ontem (30) à noite sobre o anúncio oficial do PR no âmbito nacional.
Como o prefeito encara essa reunião a portas fechadas com o governador Jaques Wagner?
Tarcisio Pimenta - É uma satisfação muito grande para o governo municipal receber o governador do Estado. Todas as vezes que o governador vier em feira de Santana, eu vou me esforçar para recebê-lo, porque, pra mim é uma obrigação. Então, ultrapassadas todas essas questões menores, de tentar misturar as coisas, tentar colocar marcas, eu acho que já expliquei isso várias vezes, o povo não me elegeu para ficar brigando ninguém, o povo não me elegeu para ficar isolado, dentro de uma caixa ou uma bolha, sem me comunicar com as pessoas e sem procurar benefícios para a sociedade. O povo me elegeu para trabalhar por ela (Feira de Santana) e para construir uma cidade cada vez melhor e isso que nós estamos fazendo. Receberei o governador aqui, assim como o presidente, o ministro de Estado, deputados, quem assim desejar vir ao Paço Municipal. Portanto, política eu vou disputar em outra oportunidade, voto eu vou atrás, porque, eu sei onde está e já mostrei isso. Agora administrar a cidade significa prover os meios para melhorar a vida do nosso povo. Lá fora o povo não me pergunta se o governador é do PT, ou se o governador é do PP ou se o governador é do DEM. Eles perguntam, prefeito, quando é que melhora segurança, quando é que melhora a saúde, o que o senhor tem feito para a micareta não ser fraca, ser boa. Então, é isso que eles me cobram lá fora. Porque o senhor não procurou o governador para fazer um convênio. Fala que está com dificuldade e não procura. Nós estamos fazendo um convênio de trezentos e cinqüenta mil reais. Alguém pode arriscar e dizer, só. Mas, eu sei o quanto trezentos e cinqüenta mil fazem falta na hora de cumprir os compromissos do Paço Municipal. Só esse ano governador, vamos assinar convênio para a micareta da ordem de R$ 1 milhão. Nunca aconteceu isso em Feira de Santana, pela primeira vez. Lá fora o povo vai julgar. O nosso juiz é o eleitor. Na hora certa ele vai atender e vai julgar se a decisão do prefeito ta correta ou não. Se a do governador está correta ou não está. Então, eu prefiro o julgamento da rua, do que o julgamento dentro da prefeitura. O julgamento, talvez, no gabinete de Antônio, Pedro ou Paulo.
Durante o Carnaval, o governador anunciou que o único nome confirmado na chapa majoritária, além do seu, era o nome do conselheiro Otto Alencar para o senado. No entanto, deve anunciar que o nome de Otto Alencar ocupará a vice, e Lídice e César Borges para o senado. O governador hesitou em ter duas candidaturas carlistas apoiadas pelo PT?
Jaques Wagner - A gente vive um processo de mudança cultural da política baiana. Então as pessoas estranhas, porque pensavam que tudo aqui deveria na base da água e do óleo. Eu quero dizer que estoo bastante a vontade, essa posição já foi referendada pelo meu partido. E, portanto, a vida de Otto Alencar para vice e não para o senado, que era a posição primeira, realmente tem haver com a vinda do senador César Borges. Mas, não trabalho com esses nomes, ex isso ou ex aquilo, porque, eu não estou escrevendo um livro de história. Escrevo a política atual e futura da Bahia. Portanto, tudo aquilo que eu achar conveniente, que é bom e as pessoas vêem até mim para fortalecer esse momento, como bem disse o prefeito Tarcisio Pimenta, todo mundo sabe que eu tinha dois candidatos contra o prefeito Tarcisio Pimenta. Ele teve o mérito de ganhar contra o governador, no primeiro turno. Mérito dele, do grupo político dele e da popularidade dele. Assim como eu tive o mérito, apesar de Feira de Santana ter sido governada e bem avaliada pelo ex-prefeito José Ronaldo, eu ganhei em Feira com uma boa frente de votos. A cabeça do eleitor e do povo acompanha o movimento dos políticos. E eu posso dizer que ganhei aqui e já perdi em prefeituras administradas pelo PT. E são dois momentos diferentes. Uma coisa ele escolhe quem o prefeito, depois ele escolhe o governador ou presidente. Não há nenhum mal estar. Evidentemente, estamos vivendo um momento de inflexão da política baiana e eu não poderia deixar de considerar a montagem da minha chapa majoritária, que eu tenho dois públicos que me acompanham. O público que veio comigo antes de 2006 e o público que está se somando a nós pós-2006. E, portanto, defende isso com o senador César Borges, que defendia uma chapa com ele e o Otto Alencar. Ele achava que ficava mais forte. Eu disse para ele que era impossível, porque, eu tenho que respeitar os novos e o da antiga caminhada e por isso tenho que oferecer uma chapa que seja cara deste momento da Bahia. Um momento de inflexão e de somatório de um grupo político com pessoas que estão vindo. Adoro o fato de termos alguns aqui que não estamos comigo em 2006, porque estavam honrando por lealdade o compromisso que tinha com outro grupo político. Passadas as eleições as pessoas se reposicionam. Porque, quando vejo um adversário meu leal, eu tenho certeza que quando ele vier para cá também será leal. Acho bom que o prefeito Tarcisio não negue o passado dele, assim como eu não nego o meu. Se por acaso vier a acontecer um encontro político, ele será feito com a transparência política que esta sendo feito isso aqui. Não tem nenhum segredo, porque, a montagem da minha chapa foi para atender os dois públicos, porque, devo uma resposta para aqueles que me acompanharam ao longo da caminhada. César Borges vindo representa os novos amigos e Lídice da Mata, apesar de não termos batido o martelo, representa os velhos amigos. Jaques Wagner representa os velhos amigos e Otto Alencar os novos amigos da caminhada. Funciona assim e eu não vejo nenhum problema quanto a isso.Eu acho que será uma boa chapa e não tem nenhum esconderijo, porque, as minhas coisas não são construídas em uma versão. Minha palavra é muita aberta e muito franca e a decisão do meu partido foi tomada domingo e acolhe essa possibilidade Não se trata de um mal estar. Se trata de formar uma chapa que é a cara do governo, um governo de coalizão.
A esposa do prefeito, Graça Pimenta, é filiada ao PR e será candidata a deputado estadual, o que a coloca no palanque de Dilma e Wagner, enquanto o prefeito no palanque no de José Serra e Paulo Souto. Como explicar isso para o eleitorado e liderados?
Tarcisio Pimenta - Nós temos que avaliar bem os passos, sobre qualquer situação de futuras candidaturas. Já disse e vou repetir, eu tenho um grupo político. E nós avaliamos todas essas questões e vamos continuar avaliando todas as candidaturas. Não quero, nem vou impor a candidatura dele, nem de ninguém. Na realidade não existe nenhuma imposição ou determinação para que se coloque a candidatura de minha esposa como uma candidatura irreversível. Isso no período de eleição para prefeito, disseram que eu tinha filiado ela para garantir uma legenda, caso eu não saísse candidato pelo DEM, ela estaria no PR para tumultuar a eleição. E nunca houve esse objetivo. Nunca estimulei minha esposa a se filiar a partido nenhum. Um belo dia, eu estava em casa almoçando, ela na mesa disse que iria se filiar ao PR. Foi uma decisão dela. Tenho uma simpatia pelo ex-governador Otto Alencar, que é meu amigo e nunca escondi isso de ninguém. Inclusive, quando entrei nesse grupo político que estou hoje, entrei pelas mãos de Otto Alencar, a verdade é essa e é um amigo meu, um amigo particular meu. Uma pessoa da minha convivência. Nunca escondi isso de ninguém. E a minha esposa decidiu filiar-se ao PR. Uma decisão dela e isso ocorreu a muito tempo e ela está até hoje no PR. Todo o cidadão tem o direito(em tom alto). Tem o direito de se filiar, de não se filiar, de andar, subir, descer e até de pensar em ser candidata de alguma coisa (ainda em tom alto). Mas, esse não é um assunto da nossa pauta diária. Isso será discutido no momento oportuno. Vê as conveniências, as vantagens e as desvantagens. Saber se ela quer mesmo ser candidata, porque, não vou obrigar a ela a ser candidata. Agora é como o governador diz aqui. Ninguém é candidato escondido. Se ela vier a ser candidata, todos terão conhecimento e o eleitor também. Ela vai pedir voto como? Não existe eleição escondida. Se for assim, ela está fadada a perder a eleição. Não existe uma candidatura oculta.
O governador já atraiu figuras importantes, como Fernando de Fabinho, Jairo Carneiro, Eliana Boaventura, Otto Alencar e agora o senador César Borges. Dessa forma, o deputado federal Fernando de Fabinho não poderia ser agraciado com uma secretaria, já que o DEM pretende tomar o seu mandato e torná-lo inelegível?
Jaques Wagner - Foi aberto o exercício da política na Bahia. Os poderes hoje trabalham com independência. E o reconhecimento dos novos aliados é o reconhecimento dos novos ao projeto do PT. Ninguém ganha na política fazendo mais adversários. Já discute com o deputado Fernando de Fabinho e tenho o maior apresso pelo deputado Jairo Carneiro, pela sua esposa que é desembargadora do trabalho e posso dizer muito a vontade que sempre convive bem com o deputado Jairo, desde o tempo que éramos deputados. Só não quero misturar a questão do Fernando de Fabinho com essa história, por tudo que a gente já disse aqui.
Se me perguntarem se o deputado, após as eleições, poderá ser aproveitado, eu digo, é claro que poderá. Não há nenhuma objeção. Agora, minha opinião, isso diminuiria o gesto dele, porque, seria visto como se fosse em função de uma troca. E ele nunca me propôs isso. Além do mais, nós não estamos fazendo nenhuma reforma administrativa.
O prefeito tem amizade com o ex-governador Otto Alencar. Se o senhor for convidado para ingressar no grupo do governador Jaques Wagner, o senhor vai aceitar?
Tarcisio Pimenta - Tenho por Otto uma amizade pessoal. Ele, inclusive, sempre foi alguém que me ajudou na minha eleição para deputado estadual. E me ligou inclusive na semana passada. Mas, não tratamos em nenhum momento sobre política. Sobre a gravata justifico. Voltei de São Paulo de um evento e fui com essa mesma roupa e gravata. Quando vim para cá, coloquei a mesma roupa. A explicação é essa aí.

Paulo Afonso,


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