Nobel de economia e o desemprego
Zé Maria é colunista do Site Notícias do Sertão.
O pensamento neoliberal ainda é muito forte
Achei interessante a reflexão do economista Marcio Pochmann em relação aos estudos sobre desemprego dos economistas que ganharam o prêmio Nobel de economia, revela o quanto ainda é forte o pensamento neoliberal na sociedade contemporânea.
Marcio Pochmann, em artigo na Revista Forum, fala sobre o Prêmio Nobel de economia e o desemprego, diz que neste ano, a Academia Real de Ciências da Suécia concedeu o prêmio Nobel de Economia para três economistas cujo tema de estudo é o trabalho, mais particularmente o desemprego.
“O desemprego representa um problema permanente nas economias capitalistas, pois a plena ocupação da força de trabalho tem se verificado em poucos países, geralmente de forma pontual e localizada no tempo. Apesar de haver certo consenso a esse respeito, prevalece inegável controvérsia sobre as causas do desemprego e, em consequência, as receitas necessárias ao seu contínuo enfrentamento”.
Os ganhadores do Nobel de economia deste ano, “apesar da crítica inicialmente estabelecida à teoria econômica clássica da determinação do emprego por resultado do livre encontro da oferta com a demanda de mão de obra, defendem, a partir de 1994, a plena flexibilização no funcionamento do mercado de trabalho. Os três economistas identificam a interferência negativa da regulação pública e da ação da política econômica no interior do mercado de trabalho como responsável pelo funcionamento menos eficiente das forças de mercado”.
“A partir desta reflexão eles defendem a flexibilização do mercado de trabalho, com corte de benefícios sociais e redução dos custos de demissão. Eles criticam a posição adotada por algumas nações, especialmente europeias, de continuar a sustentar a renda e garantir benefícios aos desempregados em plena crise global de 2008, pois entendem que isso promoveu ainda mais problemas no funcionamento do mercado de trabalho”.
Porchmam observa, entretanto, que estranhamente, o mercado de trabalho mais flexível dos Estados Unidos acusou maior e mais grave desemprego que o menos flexível mercado de trabalho da União Europeia durante a recessão passada.
Porchmam conclui que tendem a prevalecer estudos e pesquisas no âmbito de interesse das economias localizadas ao norte do planeta, cuja problemática não é necessariamente a mesma dos demais países. Observa que as economias menos afetadas pela última crise global e que agora puxam a recuperação mundial convivem com outros tipos de problemas no mercado de trabalho, como a escassez de mão de obra qualificada frente ao forte crescimento da produção. E, para isso, os estudos dos três renomados economistas premiados pelo Nobel de Economia de 2010 parecem pouco contribuir.
O pensamento neoliberal ainda é muito forte e seduz muita gente mundo afora, porém, soluções que defendem os interesses dos trabalhadores, dos pobres e dos excluídos nas sociedades modernas, diferentes das propostas indicadas por pensadores neoliberais, têm-se mostrado eficazes para resolver problemas sociais e econômicos em vários países, sobretudo na América Latina e no Brasil.
Zé Maria é colunista do Site Notícias do Sertão.

Paulo Afonso,


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